Pela certeza de que não é amor

Seu texto vai ficar mais lindo se você ouvir The a team – Ed Sheeran enquanto lê.

Uma vez escrevi um texto de amor e mostrei ele pra minha mãe. Ela falou que havia ficado realmente lindo e perguntou se eu estava apaixonada, e quando respondi que não ela duvidou. Falou que era impossível eu ter escrito aquele texto sem estar pensando em alguém. Respondi pra ela que justamente era mais fácil falar de amor quando não estava sentindo, e brinquei que quando estivesse apaixonada ai sim ia começar a escrever sobre a vida. Meus quatro últimos textos foram sobre a vida. E eu não tinha percebido esse padrão até que fui começar a escrever outro texto, reparei no tema, pensei a quanto tempo não falava sobre amor – que sempre foi um dos meus temas preferidos -, lembrei dessa cena e me veio você na cabeça. Isso não pode significar coisa boa.
Eu não te amo. E também não sou apaixonada por você. Quer dizer, a gente só se conhece há um mês e sai só tem duas semanas. Aliás, vai fazer duas semanas na terça agora, depois de amanhã. Eu lembro que era terça porque eu fui direto do curso e me atrasei um pouco, ai quando cheguei você estava em frente ao shopping meio impaciente e com a franja caindo na cara. Lembro de ter parado um segundinho pra me ajeitar, e não chegar com cara de maluca desvairada, e ficar admirando você. Fiquei pensando o quão você era lindo, e até bateu um friozinho na barriga, afinal estávamos finalmente nos encontrando. Aquela já era a sexta vez que tínhamos marcado porque todas as outras tiveram que ser remarcadas devido ao dia-a-dia e seus compromissos.
Enfim, o que eu tava falando mesmo? Aé, que eu não te amo. E não amo mesmo. Não tem como eu ter me apaixonado por você nesse período de tempo tão curto. E se o nosso primeiro encontro foi só há duas semanas, o nosso primeiro beijo tem menos tempo ainda. Ok, não tanto menos tempo assim. Inclusive foi um pouco desapontador não ter sido no primeiro encontro. Achei que iria me beijar quando veio se despedir antes de eu pegar o ônibus mas foi só um beijo no rosto mesmo. Lembro de ter entrado no buzão pensando que você tinha perdido o interesse, que o encontro tinha sido horrível e por isso não me beijou. Mas ai quando cheguei em casa quase chorando – por frustração, não amor – o meu celular apitou e era você pra saber se eu tinha chegado bem. O coração deu uma leve acelerada e eu percebi que eu também podia ter te beijado e não fiz. Mas o importante é que o tão esperado beijo aconteceu no nosso segundo encontro, que foi na praia. Inclusive até hoje não sei como me convenceu a ir em pleno domingo pra praia. Odeio areia e morro de medo de mar. Mas nesse dia até cheguei a entrar, após você jurar que não ia largar minha mão, e não largou mesmo. O beijo aconteceu quando tomamos um caldo (é esse o nome que se dá né? Desculpa, é que eu não to familiarizada com esses termos), você foi me segurar pela cintura, após o meu leve grito abafado de susto e medo, e rolou. Lembro que eu tava tremendo e você achou que era frio, ai me levou pra praia e me cobriu com a toalha, mas acho que preciso confessar que, apesar de realmente estar com frio, uma parte de toda a tremedeira era nervoso. Mas não porque eu tava apaixonada, por favor né, é só que o momento foi muito bonitinho e tudo mais, ai me bateu aquele nervosinho. O tal frio na barriga.
Bom, daí depois disso teve o terceiro, o quarto e hoje será nosso quinto encontro. Confesso que o friozinho na barriga insiste em me atormentar. Na verdade sempre que é falado de você ele aparece. Bem, ele e esse enjoo meio estranho que faz parecer que eu vou vomitar, mas isso é só coincidência, acho que to comendo muita besteira. O estranho é que mesmo meio passando mal eu fico rindo igual a uma abestalhada e não importa quantos exercícios com a mandíbula eu faça, o sorriso sempre insiste em voltar. Eu só devo ter pego a doença do Coringa, com certeza não é nada demais.
Enfim, tá vendo como eu não te amo, você me deixa enjoada. E irritada. Sabe, você nunca retorna as minhas mensagens cinco segundos depois que eu as enviei e nem pergunta como eu to quando acordo, só vai fazer isso lá pelas nove e pouquinha da manhã. Minhas amigas me falaram que eu to louca porque eu nunca gostei muito dessas coisas, mas sabe, eu não lembro muito disso não. Quer dizer, se eu nunca gostei porque comecei a gostar quando é com você? Não faz sentido algum. Eu falo isso pra elas e elas riem. Nunca entendi a graça.
Bom, o importante é que consegui comprovar meu ponto, eu não me apaixonei por você. Isso não faria sentido algum. Provavelmente só estou escrevendo mais sobre a vida porque aprendi mais sobre ela desde que vi aquele filme que você me indicou porque disse que eu ia adorar. É só isso. Nada haver com amor, paixão e essas coisas loucas e complicadas.
marina

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