Amigos por ai

Como conversar com alguém na rua sem parecer que você está possivelmente dando em cima da pessoa? Às vezes, muitas vezes, já me fiz essa pergunta.
Quer dizer, às vezes encontro pessoas na rua que parecem ser tão legais. Pessoas que parecem ter histórias incríveis, e eu quero ouvir essas histórias. Pessoas que dá vontade de ser amiga.
E ai eu fico reparando, no jeito de andar, no jeito que se vestiu, no que o seu sorriso transmite, mesmo se não tiver sorrindo. Reparo se está ouvindo música, e se estiver perto o suficiente, tento descobrir qual é a música, mas talvez só descubra mesmo através do batuque que ela faz silenciosamente com as mãos. E se eu der sorte, e ela estiver com alguém, eu presto atenção na conversa e tento descobrir de onde vem. Rio escondido disso tudo com a cabeça meio virada e um sorriso meio quieto e que quer ser solto mas não é pra ninguém achar que sou maluca, e a pessoa não achar que sou enxerida. Mas eu não sou não. É só meu jeito de tentar ser sua amiga. Tá, talvez eu seja meio enxerida. Mas, se você tava reclamando de algum problema, eu te dei conselhos mentalmente. E se você tava cantarolando alguma música que conheço eu fiquei louca pra te mostrar aquela outra música muito parecida com essa ai mas que quase ninguém conhece e que, eu juro, você iria adorar também.
Eu tentaria ser uma boa amiga, e acho que seria mesmo. Os amigos que tenho nunca reclamaram de mim. Quer dizer, eles reclamam bastante sim mas continuam sendo meus amigos, então algo de bom eu tenho. Enfim, eu seria uma boa amiga, mas isso se eu pudesse começar a conversar com você sem parecer que só estou dando em cima. Ou que quero te assaltar. Ou que sou uma chata que não tem mais o que fazer no meio na rua. Ou uma maluca que fugiu do hospício, vai saber.
To falando isso porque hoje no ônibus fui lá pra trás, naqueles bancos que tem cinco, aonde sempre tenho mania de sentar e vi dois meninos, lá com seus 14 ou 15 anos, um na frente do outro e nem achei que eles se conhecessem (nunca entenderei porque garotos não sentam do lado de seus amigos). Lembro que levei um susto com eles dois porque eu não tinha visto ninguém lá da frente e minha mãe sempre fala que sentar lá atrás é mais perigoso, porque ninguém tá vendo o que acontece. Confesso que quase dei meia volta e fui me aconchegar lá na frente. Mas seria idiota fazer isso e me sentei ali mesmo, do lado oposto deles, afinal eles já estavam ocupados as duas fileiras de um lado mesmo. Enfim, eles ficaram quietos no começo da viagem, e eu, que não tava lá nos meus melhores dias, acabei me perdendo nos meus pensamentos e nem percebi quando eles começaram a falar, que foi ai que percebi que afinal eles se conheciam. Eles discutiam sobre o porque da calcinha ter um furo, não sabiam se era pra fazer xixi ou sexo, e pelo que eu entendi era uma calcinha que eles tinham visto em uma vitrine de uma loja normal. Confesso que fiquei tanto na duvida quanto eles. E foi ai que comecei a prestar atenção na conversa dos dois. Também foi ai que pensei “gente, quero ser amiga deles”. E não, eu não sei porque eu quis ser amiga deles por eles estarem discutindo sobre o furo de uma calcinha. Logo depois começou uma discussão sobre se um lugar lá era imobiliária ou restaurante. Um viu que era uma coisa e o outro viu que era outra. Apesar de estar na janela oposta, o fato de eu fazer aquele percusso todos os dias me fez decorar o caminho e sabia o que eles estavam falando. Acabava que os dois estavam certos, tem uma imobiliária e um restaurante, e um é perto do outro, se não prestar atenção, é fácil confundir. Depois um deles começou a contar o quanto o pai era foda por ter discutido com um cara da oi e o outro parecia ouvir meio desinteressado, mas não queria cortar o barato do amigo. Confesso que virei a cabeça pra janela e comecei a rir bastante nessa hora. Depois eles viram uma garota bonita e começaram a falar coisas como “nossa” ou “que isso”, mas assim que o ônibus passou por ela um deles falou “ela é gos…bonita mesmo né” e a conversa sobre a menina que aparentemente um deles conhece continuou. Inclusive preciso falar que achei engraçada a maneira que ele quase falou gostosa de sem querer, como se soubesse que o gostosa ofenderia e o bonita elogiaria. E ela nem tava ouvindo, então não foi pra agradar. Se foi de fato proposital gostaria de falar que o mundo precisa de mais meninos como eles. Mas enfim, enquanto eles ainda estavam na conversa sobre a menina eles viram que era sua parada e falaram que iam descer. Nem deram tchau. Tudo bem que em momento nenhum eles falaram comigo, mas poxa, podia ter dado um tchau, já considerava vocês meus amigos. Mas tudo bem, já superei. Mas esqueci de agradecer, vocês animaram meu dia que tava uma boa bosta. Espero encontrar vocês em outras viagens, e espero arrumar um jeito de ir falar com vocês sem parecer que estou dando em cima.

marina

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