Talvez seja

Texto do projeto 642 coisas sobre as quais escrever: #texto1 – Descreva a sua aparência física (na terceira pessoa), como se você fosse uma personagem de livro

Não, eu não consegui fazer exatamente o que pedia por motivos de não faço a mínima ideia de como me descrever fisicamente, então acabei levando mais pro lado filosófico (?) da coisa. Pode chamar assim?

Inclusive, seu texto ficará mais lindo ao som de Piloto automático – Supercombo

Quem olha de longe pra aquela menina acha que é apenas mais uma solitária no mundo. Ou mais uma louca ou uma alma perdida por ai. Mas talvez sejam seus óculos pretos de aro grosso ou o cabelo que não se decide se é loiro, se é ruivo ou se é castanho. Talvez seja o sorriso bobo de quem sabe demais e ao mesmo tempo não sabe de absolutamente nada. Talvez seja a covinha que quem olha tem certeza se tratar apenas de uma criança. Talvez sejam as unhas descascadas ou a mão suja de caneta que ela jura ser a melhor sujeira de todo o mundo. Talvez seja a pele tão branca que quase parece transparente de um jeito amarelado. Talvez seja os olhos castanhos quase pretos que vêem o mundo de uma forma que eu nunca pensei em enxergar, é tão puro, doce e mágico que dá gosto só de ouvir ela contar. Talvez sejam as manchas roxas espalhadas pelo corpo que logo denunciam que a menina é desastrada e distraída mas que também nem tenta se equilibrar. Talvez sejam os pés tão sujos graças a essa mania dela de andar descalça pra cima e pra baixo, e até na rua se alguém deixar. Talvez sejam as orelhas tão furadas que a esquerda chega a ter seis brincos. Talvez seja a franja que sempre dá um jeito de cair na cara. Talvez seja o cabelo ondulado e cheio que parece que ela acabou de levantar, mas é tudo de propósito, faz parte do seu charme, ela costuma afirmar. Talvez seja a blusa quadriculada que já quase anda sozinha mas ela insisti em continuar usando. Talvez seja o batom vermelho que ela usa mesmo às oito da manhã. Talvez seja o all star branco que não é azul. Talvez sejam os fones de ouvido que são quase um membro novo e todas aquelas músicas que ali tocam, algumas inclusive acho que apenas umas dez pessoas já ouviram falar. Talvez seja a bolsa de lado e seus bottons que sempre insistem em cair sem ela ver, e as pessoas estranhas na rua que a chamam pra avisar, e ela agradece com o sorriso mais sem graça e agacha pra pegar com toda a sua meiguice de um ogro. Talvez seja a sua delicadeza de um homem das cavernas ou sua grossura de uma borboleta. Talvez seja suas lágrimas que sempre insistem em cair ao ouvir as histórias mais bobinhas de amores verdadeiros e paixões de tirar o fôlego. Talvez seja esse seu romantismo de quem odeia, e não concorda, com casamentos. Talvez seja a sua paixão por animais que não consegue nem matar moscas e que morre de medo de abelhas. Talvez seja a mania dela de escrever sobre tudo mas mal saber conversar direito, e quem dirá, literalmente falar, sobre seus sentimentos. Talvez seja o fato de ela se sufocar nas palavras que insiste em não dizer, ou escrever, ou admitir. Talvez seja o jeito que ela tem de viver sua vida, sem saber pra onde vai direito e sem certeza nenhuma. Talvez todos a achem solitária porque ela tem mania de se achar assim, mesmo sabendo que tem tanta gente que se preocupa e ama ela, mesmo com esse jeito dela que ninguém entende ou compreende, mesmo com esse jeito estranho e completamente esquisito, mesmo com tudo isso, ainda tem gente que ama ela.

marina

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