Renovar

E para trilha sonora, ouça Wings – Birdy.

Aquela sensação de ter chorado o dia inteiro. Aquela sensação que mistura olhos inchados, sono e uma tristeza que por mais que tenha passado, não passou. Eu não derramei nenhuma lágrima hoje.
Aquela sensação de ressaca misturada com a sensação de quando se está bêbado. Dor de cabeça, enjoos que vem do coração e mente, vontade de vomitar todas as palavras não ditas, coragem pra fazer todas as coisas não feitas, não conseguir se manter em pé, não saber o que está fazendo ou aonde está no mundo. Há muito tempo não coloco uma gota de álcool na boca – quem dera estivesse bêbada agora.
Aquela sensação de se estar sonhando. Quando você dá o seu máximo pra gritar mas não sai sequer um som da sua boca, quando você tenta controlar tudo mas não tem controle nenhum, quando você sabe que está sonhando mas isso não muda absolutamente nada, quando você acorda justamente na parte boa, quando o sonho é tão forte que te passa todos aqueles sentimentos e você acorda agoniada e nervosa. Mas eu já estava acordada.
Aquela sensação de música. Sentir a batida, o ritmo, a letra, o sentimento, a melodia, o significado e toda a sua composição. Eu nunca soube compor.
Aquela sensação de ler um livro. Chora, ri, sente tudo o que o personagem sente, vivi como se fosse você ali dentro. Eu odeio meu livro favorito.
Aquela sensação de roleta russa. A arma, com uma bala, pronta pra ser disparada. Um jogo de sorte. Mas você pode ser o azarado da vez. E talvez você até queira ter esse azar. E, se tiver, você torce pra que seja rápido. Que pegue em qualquer lugar que se faça instantâneo. Sem dor, que a vida – mesmo o restinho dela que ainda vai ter – não te traga mais dor. A arma foi disparada e o cartucho estava vazio.
Aquela sensação de dia longo de trabalho. Chegar cansada e ser recebida pela taça de vinho e pela festa do cachorro que te esperou o dia inteiro. Ser recebida com o jantar já pronto e o filme bom que passa na tv. Eu moro sozinha, a garrafa de vinho está vazia porque eu já bebi de manhã, não tenho cachorro e nem tv.
Aquela sensação de praia. O mar, o amor, a paz, o pé na areia quente, a calma. Aonde eu moro não tem praia, muito menos amor, paz ou calma.
Aquela sensação de felicidade. O sorriso chato que não sai do rosto e não tem nem motivo pra tá lá. A dança meio boba de quem não sabe dançar, mas dança pra poder comemorar – seja a vida ou o que mais quiser. A alma mais leve que parece que pode voar. As energias boas que carrega dentro de si, e que faz questão de espalhar por ai. Há um tempo que já não sei mais o que é sorrir, dançar ou voar.
Aquela sensação de mudança. Aquela alerta de perigo. Aquela marca de urgência. Aquele bipe interno que avisa que esse caminho tá perigoso demais. Chato demais. Sem graça demais. Infeliz demais. E que tudo precisa virar do inverso, pra ontem, e sem mais.
Aquela sensação de viagem. Pro outro lado do mundo. Pro outro lado de si mesma. Virar ao contrário, ficar de cabeça pra baixo. Descobrir mais sobre tudo. Se descobrir. Se recriar. Renovar. A vida, a alma e as energias. Simplesmente mudar. E quem sabe, ter uma sensação de felicidade que acaba com um “e pra sempre vai continuar”.

marina

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