Sobre cigarros e amores

Ao som de 1901 esse texto fica mais lindo.

Não gosto de cigarros, não mesmo. Me dão dor de cabeça, deixam um gosto ruim na boca (como se tivesse matado meu paladar) e ainda por cima me marcam com aquele cheiro que se impregna no corpo e roupa, e fica me lembrando durante o resto do dia do maldito. Mas já fumei alguns e, se for contar todos, dá pra somar alguns maços. E eu continuo insistindo em fazer isso que tanto odeio. Insisto em fumar pela rebeldia do ato. Insisto porque quero provar – à qualquer um e principalmente à mim mesma – que tenho total controle sobre mim, que não vou me viciar ou depender de meros cigarrinhos pro meu dia ficar bom. Insisto também, confesso, por um pouco de masoquismo, como se eu quisesse me torturar por tudo que dá errado por ai.
E é meio que assim com você.
Você não me faz bem, não mesmo. Me dá dor no coração, deixa seu gosto marcado nos meus lábios e o seu perfume permanece em mim mesmo quando já se foi. Acho que já perdi as contas de quantas vezes jurei à mim mesma que essa seria a última vez que te veria. Mas sempre tem uma próxima que ai sim vai ser a última, e depois tem a próxima e a próxima. E eu juro, me decido definitivamente me livrar de você, consigo não atender seus telefonemas ou responder as suas mensagens, mas ai você bate na minha porta e me olha nos olhos, e não é necessário nenhuma palavra para eu te deixar entrar. Porém ainda sim, às vezes, você até sussurra algumas palavras falando que nós somos perfeitos e que não devia acabar, e eu, com um sorriso bobo e meio enfeitiçada, concordo mais uma vez te deixando permanecer. Não só na minha casa, mas na minha vida, na minha alma, no meu coração. Mais uma vez eu te deixo ficar e, aquela esperança idiota de que dessa vez tudo vai dar certo (re)nasce em mim, mas eu sei que… bem, a minha parte lógica e que raciocina (que em mim, admito, é bem pequena) sabe que não vai dar certo, da mesma maneira que não deu nas outras mil e quinhentas vezes que tentamos. E ainda sim eu continuo insistindo em você. Insisto pela rebeldia de fazer o que quero quando quero, fingindo que não sinto ou me importo com o que vem depois. Insisto pra provar para mim mesma – e até para você – que eu ainda tenho controle sobre mim e que posso me desprender de nós dois exatamente a qualquer hora que quiser. Insisto como uma espécie de masoquismo, pra poder te machucar enquanto me machuco, pra poder provar que se aguento toda essa tortura eu posso aguentar tudo de ruim por ai.

E um dia eu largo disso tudo. Dos cigarros e de você. Mas enquanto isso permaneço aqui, com seus lábios entre os meus e um cigarro entre os dedos, tentando pensar em novas formas de masoquismo, porque as que eu uso agora estou começando a gostar.

marina

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