Talvez amar

Eu sei que não estou legal quando eu passo pela gatinha aqui da rua e não me animo nem um pouquinho em atravessar pra ir falar com ela. Eu sei que não to legal quando meu dia na prática foi bem bom, mas na teoria pareceu tão chato e horrível que eu só pensava em ir pra casa e me afundar no sofá. Eu sei que não to legal quando não tenho paciência pra festa maravilhosa que meu cachorro faz quando eu chego em casa. Eu sei que não to legal quando todos os risos e sorrisos que dei hoje foram falsos só pra não precisar mostrar que eu não to legal. Eu sei que não to legal quando me abalo ao ver a foto de uma pessoa que já não significa nada pra mim e nem tem nada a ver com o meu problema. Eu sei que não to legal quando o motivo da minha chatiação é um motivo pelo qual eu nunca me permiti ficar chatiada. “Bobeira Marina, parou né”, era o que eu repetia para mim quando eu sequer cogitava a possibilidade de ficar abalada por essa máxima bobeira. Eu não me permitia ficar assim, e por agora estar ficando, apesar de ainda não me permitindo, eu sei que não to legal. Eu sei que é coisa boba sim, eu também sei que é fraqueza minha, eu sei, mas parece tão forte agora. Parece que me come viva e me devasta. Nunca achei que fosse possível ficar assim por carência. Sim, carência. Mas não é carência de falta de carinho não, nem de falta de amor (porque, apesar de não saber explicar como, incrivelmente tem gente que me ama, e até bastante), também não é de falta de “pegação” ou falta de paixão. Não é de carência de falta. É de sobra. Sobra amor dentro de mim mas não sei mais pra quem dar. Sobra aquele amor diferente dentro de mim e eu não tenho pra quem entregar.
É, eu sei, é a máxima bobeira. Sem falar que procurar amor é igual a querer procurar dinheiro, você só acha quando não procura. Mas, ainda sim, cria um vazio aqui, um vazio cheio de amor que não pertence a ninguém. Talvez eu esteja insana por querer me apaixonar, talvez eu só seja uma romântica incorrigível, talvez eu apenas sinta falta de ter aquele friozinho na barriga. Era estranho, horrível e me fazia querer vomitar, mas era estranhamente maravilhoso. Talvez eu só sinta falta do sorriso de idiota quando se dá só em pensar. Talvez eu só sinta falta de ficar agindo que nem uma maluca, insana, retardada, estranha e esquisita. Talvez eu só sinta falta de ter alguém pra dividir esse meu amor. Talvez. Ou talvez eu só precise de uns bons drinks e Skrillex no volume mais alto pra esquecer desse ideia besta de amar.

marina

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