A falta da sua presença

Isso é uma espécie de TW tá? Aqui no blog em geral posto de sentimentos, normalmente amor, alguns textos podem até ser tristes mas nada que seja muito forte. Hoje eu abri meu coração e escrevi um texto sobre a minha tia Regina, ela morou comigo até meus quinze anos e foi quase uma segunda mãe pra mim – só que infelizmente só percebo isso agora – e veio a falecer em abril do ano passado. Quis botar um aviso antes porque pode ter alguém que vai realmente sofrer ou se incomodar com um tema mais pesadinho.

E pro seu texto ficar ainda mais tristinho vale ouvir a música As cores – Cine, foi ouvindo ela que escrevi

As pessoas não se preocuparam como eu me sentia em relação a isso. Todo mundo se preocupava com todo mundo, todo mundo se ligava pra saber se tava bem. Menos à mim. Eu não queria a preocupação delas, mas acho que é assim mesmo, quando a gente não demonstra a gente não sente né? Quem dera.
Eu não surtei, pelo contrário, estava aparentemente bem. Conseguia até sorrir e fazer algumas brincadeiras. E, apesar de desabando por dentro, eu conseguia respirar com calma. Parte de mim ainda achava que aquilo era um pesadelo, parte de mim ainda acha que eu posso acordar a qualquer momento e respirar aliviada. E pra não dizer que em nenhum momento minha aparente força não desmoronou, teve dois. Em um momento eu desabei a chorar. As lágrimas que eu tentava manter guardadas quiseram ser livres e simplesmente saíram, fugi dali e entrei no banheiro mais próximo. O segundo momento foi no enterro. Foi um soco na cara na verdade. Você não levantou do caixão e aquilo tudo estava parecendo ser bem real, e era mesmo. Ao entrar no cemitério eu mal me mantia em pé e por dentro eu tremia – graças ao medo, graças a tristeza, graças as energias que aquele lugar passava. Quando todo o enterro estava acontecendo eu simplesmente me afastei de todos e sentei em um degrau do chão, chorei ali mesmo na frente de todos e já nem ligava mais. Aquilo estava sendo real demais pra minha cabeça.
Em algum momento do velório lembro que minha mãe comentou que as datas comemorativas seriam as mais difíceis, disse que sim mas não de fato concordei. Achei que os primeiros meses é que seriam realmente difíceis e que as datas apenas seriam um lembrete da sua ausência, e que isso incomodaria, daria um vazio, mas leve. Errei. Os primeiros meses foram basicamente fáceis, era como se você estivesse embarcada em uma viagem mas que logo estaria de volta. Não voltou. Só que depois dos primeiros meses é que a sua falta começou a gritar. Você não ligou pra saber como foi meu primeiro dia de trabalho, não esteve ao meu lado no meu aniversário de dezoito anos, e nem no Natal, e nem no Ano Novo, e nem no carnaval, e nem no primeiro dia da faculdade, e nem no seu aniversário, e nem quando eu precisava de pão de queijo, e nem quando eu queria ver CSI, e nem quando eu queria ir pra sua casa pra comer besteira e falar sobre aleatoriedades da vida. Você não esteve aqui comigo e lembrar que nunca mais vai estar quebra meu corpo em pedaços. Lembrar que você não está aqui pra dizer que lê meu blog todo dia e me cobra postagens, lembrar que você não vai mais aparecer na minha casa às nove da manhã, lembrar que não é você me ligando no meio da tarde só pra saber se tá tudo bem. O telefone toca e não é você. Quando eu saio pra caminhar eu não posso ir parar na sua casa. Quando eu preciso de alguma coisa mas to com preguiça não é seu número que eu posso discar. Eu não sinto a sua ausência, eu sinto a falta de tua presença. Constantemente e para sempre. E eu tenho noção que vai ser assim pra sempre e não vai melhorar ou amenizar.
Quando eu for morar sozinha vou sentir falta das tuas visitas. Vou sentir falta de você falando merda para os meus futuros namorados. Quando eu arrumar um emprego dos sonhos vou sentir falta do teu parabéns. Quando eu tentar realizar um sonho vou sentir falta do teu apoio. E quando eu conseguir realiza-lo vou sentir falta do teu orgulho. Quando eu respirar, quando eu ouvir uma música, quando eu andar na rua, quando eu beber uma xícara de chá, quando eu dormir, quando eu acordar, quando eu tiver medo, quando eu tiver feliz, quando eu estiver parada, quando eu estiver pulando; enquanto eu viver eu vou sentir tua falta.
Meu aniversário de dezenove se aproxima cada vez mais (cada vez menos é que não tinha como ser) e eu quero, mais que querer, eu preciso de você aqui. Preciso de você me dizendo que as minhas incertezas vão passar e, se não passarem a gente dá um jeito. Preciso de você me dando conselhos que eu não sei quais seriam porque eu nunca fui de me abrir muito com você. Preciso saber que eu tenho teu apoio pra sei lá o que, pra qualquer coisa. Eu preciso de você aqui e não importa se outros podem fazer igual, é de você e só você que eu preciso. Meu aniversário tá chegando e eu até queria fazer um bolo mas eu pareço não conseguir sabendo que você não estará aqui. Meu aniversário tá chegando e a minha mãe tinha razão, as datas comemorativas são as piores. É ai que a gente realmente se dá conta de que você não tá mais aqui. E mesmo assim acho que ainda não me dei conta de verdade, parte de mim ainda acredita que a qualquer momento você vai aparecer, vai passar pela minha porta e mandar eu te por à par de tudo que vem acontecendo.
Eu mudei muito e eu sempre penso em como eu acredito que você gostaria bastante dessa nova eu. Sou até um pouco parecida com você agora, eu acho. A verdade é que todos sempre falaram que éramos parecidas mas eu odiava ouvir isso, hoje em dia eu só torço os dedinhos para que alguém me fale isso. Nunca mais falaram.
Você não era santa e nem virou uma só porque se foi, mas eu queria você aqui com todos os teus defeitos me fazendo companhia. E não, eu não passei a te amar do nada, eu sempre amei mas, de certa maneira, não me dava conta ou admitia isso, e eu nem sei o porque. Então, se ainda vale falar, eu te amo. Cada centímetro do meu coração te ama. Eu sinto tua falta a cada segundo do meu dia, todos os dias, e mesmo que às vezes eu nem sinta que eu sinto, ainda sim eu sinto.

Não sou muito de falar dos meus sentimentos mais internos (?) mas eu precisava escrever, precisava botar pra fora. Não quero e nem preciso que alguém fique com pena de mim, esse sentimento eu dispenso – e nem vejo motivos para te-lo – mas eu só estou postando ele porque eu realmente precisava compartilhar a minha dor. Eu já escrevi alguns textos sobre ela mas sempre me recuso a posta-los, só que dessa vez eu precisava abrir meu coração pra alguém, precisava dizer como eu me sentia. Sou péssima em conversas, sou péssima em falar – em um sentido literal – de sentimentos. Por isso eu decidi escrever sobre e postar aqui.

Então, apenas me abracem e enviem muita luz e energias boas pra ela tá? Obrigada e beijos de luz pra vocês.

marina

Anúncios

Me conte sua opinião sobre isso

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s