Nostalgia

Leia ao som de Yellow, do Colplay

O cheiro de chuva invade a casa. Você sempre me disse que esse cheiro lhe dá lembranças de um passado que nunca existiu, de uma infância tão boa no campo, mas você cresceu na cidade. Acho que peguei teu mal. O cheiro de chuva me dá nostalgia de um amor que a gente não viveu. Me dá saudade de uma felicidade que nós não tivemos. Mas íamos ter, estava nos planos, nós tínhamos feito tantos planos, e hoje isso já não significa nada. Morar um ano na Espanha não seria tão bom sozinha, nem ir à todos os parques de diversão do mundo. Não consigo mais assistir ao meu filme preferido porque ele é teu também, e a música que eu mais gostava de dançar só me faz lembrar da tua dança – que provavelmente é uma das coisas mais lindas que meus olhos já viram. O jardim daquela casa abandonada que eu ia sempre antes de você chegar e que era meu lugar favorito do mundo pra poder ficar sozinha, eu até já te levei uma vez lá mas enfim, ele já não tem graça porque a pessoa que sou agora é diferente, a solidão que carrego em mim é diferente da que eu tinha antes de você.
E nesse momento minha vida se divide assim, antes e depois de você. É quase ridículo mas a verdade, a infeliz e bela realidade de mim. Você, sem pena ou cuidado, virou minha vida do avesso e, sem querer ser clichê, me mostrou que, às vezes, ficar de cabeça pra baixo pode ser o lado certo. Agora meus pés tocam o céu e eu descobri que posso voar, e você me mostrou que isso é fácil. Aliás, facilidade mesmo eu tive em te amar. Aconteceu sem esforço e de repente meu coração te pertencia. Só que, sem querer citar Caetano, você não me ensinou a te esquecer, você só me ensinou a te querer mais e cada vez mais. De olhar em teus olhos, ganhar teus abraços, que saudade que eu sinto. Você me transbordou de tal forma que passou a fazer parte de mim. Se misturou em mim e me fez transbordar, de felicidade, paixão, amor. Te amei e ainda amo. Mas este amor hoje é fantasma de um sentimento que já morreu. Apenas viveu enquanto se fazia feliz. Há melhor tipo de vida? Felicidade, você mesmo dizia, é se sentir bem na tristeza, e amor é quando a felicidade ocorre em forma de nós. Mas tinha virado um você e eu, o nós se foi. A felicidade acabou. E o amor morreu.
Durou o tempo necessário para marcar pra sempre. Eu te amei de forma infinita e alguns infinitos simplesmente duram mais que outros. O nosso infinito acabou mas foi tão bom. E agora restam as lembranças de sentimentos e sensações, saudades de felicidades e nostalgias de tudo. Você é pura nostalgia menino, uma daquelas que é maravilhosa de sentir mas que a gente sabe que se viver de novo estraga. Daquelas que é pra deixar no passado que lá tá bem guardado. Eu te amei, te amo e sempre vou te amar. Plantarei flores no túmulo do nosso amor e que delas nasçam outros amores, outras felicidades e outras nostalgias. Foi fácil me apaixonar por você e eu pretendo nunca te esquecer. E agora me despeço, e te agradeço, amores mudam a gente e agora minha solidão é mais leve. Um dia te amei. E agora eu me amo.
O cheiro de chuva que entra pela minha janela, que agora dá de frente pro mar de uma cidade de Portugal que ainda não decorei o nome e tem pronúncia engraçada, me lembra que eu tenho que levar um guarda-chuva quando for sair. Vou lá arrumar um novo filme preferido e dançar as músicas que estejam tocando nas calçadas. E, em um novo jardim, pensar na minha solidão que agora já não é mais tão sozinha.

marina

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