O que eu me tornei pra você

Fotografia: Autor desconhecido

Para mais poesia 1998 – Cher Faker

Eu não entendo, o que eu me tornei pra você? Eu não entendo como agora posso ser tão pouco se um dia já fui tudo. E talvez esse seja o problema, ser tudo pra alguém; eu preenchi ao invés de transbordar, mas você se completou sozinho e eu me tornei inútil. Não era amor, era necessidade. Você cortou as amarras que te prendiam à mim e não sobrou nada. Não existem mais conexões ou ligações. Você precisava de mim, dependia de mim, e eu, com toda a minha tolice, achava que você era apaixonado por mim. Só que agora você não precisa mais, virou as costas, me magoou e tudo está ruindo. Desaparecendo e sumindo. Desabando. Meu mundo está se quebrando.
Uma vez ouvi que a pessoa que menos liga pra relação é a que mais tem poder, ri e afirmei de peito estufado que isso era coisa do século passado.
Eu te amava – o que eu estou dizendo, eu ainda te amo – mas antes você era mais fraco, mais sensível, você dependia de mim e eu mal dava atenção. Mas eu gostava daquela sensação de ter alguém pra mim, sobre meu poder. E a usava, e a abusava. Só que agora você se encheu e se tornou um só. Você está bem e independente. Eu estou fraco e sensível, eu preciso de você, eu dependo de você, mas você nem liga pra mim. Eu entendi o que eu me tornei pra você.

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2 comentários sobre “O que eu me tornei pra você

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