Força!

Para mais poesia Fight Song – Rachel Platten

Posso contar um segredo que não é secreto? Eu tenho depressão.
Por que eu estou contando isso? Quando fiz o blog a minha intenção era tocar as pessoas através da arte e, principalmente, através dos meus textos. Pra fazer isso eu sabia que teria um desafio pela frente, um desafio pessoal mesmo: me abrir, me mostrar pro mundo, tirar todas as barreiras e camadas protetoras. Não vou mentir, foi difícil. Eu sempre gostei de manter a pose de forte e de repente me desafiar a virar alguém vulnerável foi bem complicado. Também foi uma das melhores decisões da minha vida.
Não vou me alongar e contar toda a história até porquê ela é chata mas um dos motivos de a depressão ter me pego foi eu ter me aberto. Eu parei de tentar ser tão forte o tempo todo e toda a fraqueza que eu guardava dentro de mim bateu de uma vez só. Então eu me fechei de novo. Só tinha um problema, nesse meio tempo eu finalmente percebi que a arte fazia parte de mim de uma maneira que eu nunca havia notado antes. Eu sempre amei arte mas nunca dei atenção à ela, sempre amei escrever mas nunca tinha levado à sério, sempre amei a poesia mas nunca tentei usar ela em cada detalhe da minha vida. Por que isso é um problema? Não dá pra amar a arte e não senti-la em cada milímetro da pele. Não dá pra fazer um bom texto se não entrar de cabeça em seu personagem. Não dá pra ter poesia se não estiver aberta a vê-la entrar.
Como diria o velho ditado, eu fiquei presa em uma encruzilhada. Não sabia o que fazer da minha vida, me fechar e negar minha veia artística ou me abrir e deixar a depressão viver em mim. Na minha mente, essas eram as duas únicas opções. Tentei as duas e nenhuma delas me fez feliz. A realidade é que mesmo quando voltei a me fechar a depressão morava em mim porém apenas não dava pra vê-la, mas eu podia sentir. Eu passei tanto tempo assim, variando entre essas duas opções que não via mais saída, eu só queria morrer.
Eu sinceramente te digo, uma das coisas mais dolorosas da vida é você querer morrer, é você não achar mais motivos pra viver. Afinal, aqui me refiro apenas a arte mas é claro que ela não era o único motivo para eu estar sucumbindo. Eu me vi no porão do fundo do poço. Não sabia mais o que fazer com a minha vida, para onde aponta-la. Eu não sabia mais de nada, estava apenas sobrevivendo.
Foi então que eu percebi que precisa reinventar minha vida. Trazer caminhos novos à ela e tentar parar de seguir pelos antigos. Conhecer novas pessoas e ir para novos lugares. Tentei, não consegui. Tentei, não consegui. Tentei, não consegui. Tentei, e consegui. Achei uma nova estrada para seguir, e a melhor parte é que foi uma estrada que eu sempre quis conhecer mas não sabia como trilha-la. Nessa minha nova caminhada havia tudo que eu amava e um pouco mais. Nessa nova caminhada eu pude me permitir ficar vulnerável, ser uma pessoa sensível e isso não queria mais dizer dor e tristeza mas sim alegria, sorrisos e felicidade. Nessa nova caminhada havia muita arte e poesia.
Infelizmente a história não acaba aqui, eu ainda tenho depressão. Às vezes eu sinto que tudo que tenho e conquistei não fazem parte do meu merecimento, às vezes eu sinto que todos os meus amigos e pessoas que me cercam me odeiam. É uma luta diária. Tem dias que fica fácil, tem vezes que ela some por semanas até; mas ai volta e pesa, e eu tenho que lutar muito pra não cair de novo. Às vezes ela me balança e eu me pergunto pra que lutar. Mas eu luto, muito.
Eu descobri que hoje em dia, com a minha vulnerabilidade e fraqueza, sou muito, muito (…) muito mais forte do que quando eu mantinha a pose de forte. Hoje em dia, com toda a minha sensibilidade e sentimentos à flor da pele, minhas emoções e até minhas sensações se tornaram mais intensas e mais reais. Eu sinto que agora minha vida é mais verdadeira.
Voltemos a pergunta do início, por que eu estou contando isso? Eu acho que é porquê sempre que leio um texto sobre depressão eu me sinto melhor. É bom ver que há outras pessoas iguais a você, que sentem o mesmo que você. É bom ver que você não é uma anormalidade e que, na verdade, ter e sentir isso é até bem normal. É bom ver que pessoas com isso conseguem ficar bem e se superar.
Eu só gostaria também de deixar claro que a minha história é minha. É baseada em fatores da minha vida, minha personalidade, meu jeito de pensar, tudo. Não dá pra comparar a minha história, o que eu vivi, como eu encarei e como eu estou superando isso com a de mais ninguém porquê a outra pessoa vai ter sua própria história, seus próprios motivos que a levaram a chegar nesse ponto, sua própria personalidade e tudo mais seu. Não dá pra comparar mas uma coisa eu posso afirmar, qualquer pessoa que passa por isso é dona de uma força que não há palavras para medir.

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