Liberdade

Para mais poesia Morada – Forfun

O que é liberdade?

Estou em uma jaula, a porta está aberta e eu posso sair mas aqui está tão confortável, prefiro ficar.
Ser o que quiser ser. Viver da forma que quiser viver. Liberdade nada mais é que voar. Liberdade é amar.

Eu sempre me encantei com a liberdade, mesmo quando era criança e ainda mal sabia seu significado. Agora eu cresci e descobri que essa palavra é tão grande, talvez eu ainda não saiba o que significa realmente.

A verdade é que cada um carrega seu próprio significado de liberdade, alguns nem ao menos gostam desse sentimento. Sim, pra mim é um sentimento. Uma emoção, uma sensação, um amor, uma vida. A realidade mesmo é que eu não faço a menor ideia de como traduzir em palavras o que é sentir liberdade mas se eu for tentar eu diria que é como voar.

Eu nasci humana, obviamente, logo não tenho asas e não posso simplesmente abrir os braços e voar; pra mim a liberdade trás essa sensação, a de que eu tenho asas e posso voar sim. Isso não expressa nem 1% do que quero dizer mas é um bom começo.

Pense sobre isso.

Força!

Para mais poesia Fight Song – Rachel Platten

Posso contar um segredo que não é secreto? Eu tenho depressão.
Por que eu estou contando isso? Quando fiz o blog a minha intenção era tocar as pessoas através da arte e, principalmente, através dos meus textos. Pra fazer isso eu sabia que teria um desafio pela frente, um desafio pessoal mesmo: me abrir, me mostrar pro mundo, tirar todas as barreiras e camadas protetoras. Não vou mentir, foi difícil. Eu sempre gostei de manter a pose de forte e de repente me desafiar a virar alguém vulnerável foi bem complicado. Também foi uma das melhores decisões da minha vida.
Não vou me alongar e contar toda a história até porquê ela é chata mas um dos motivos de a depressão ter me pego foi eu ter me aberto. Eu parei de tentar ser tão forte o tempo todo e toda a fraqueza que eu guardava dentro de mim bateu de uma vez só. Então eu me fechei de novo. Só tinha um problema, nesse meio tempo eu finalmente percebi que a arte fazia parte de mim de uma maneira que eu nunca havia notado antes. Eu sempre amei arte mas nunca dei atenção à ela, sempre amei escrever mas nunca tinha levado à sério, sempre amei a poesia mas nunca tentei usar ela em cada detalhe da minha vida. Por que isso é um problema? Não dá pra amar a arte e não senti-la em cada milímetro da pele. Não dá pra fazer um bom texto se não entrar de cabeça em seu personagem. Não dá pra ter poesia se não estiver aberta a vê-la entrar.
Como diria o velho ditado, eu fiquei presa em uma encruzilhada. Não sabia o que fazer da minha vida, me fechar e negar minha veia artística ou me abrir e deixar a depressão viver em mim. Na minha mente, essas eram as duas únicas opções. Tentei as duas e nenhuma delas me fez feliz. A realidade é que mesmo quando voltei a me fechar a depressão morava em mim porém apenas não dava pra vê-la, mas eu podia sentir. Eu passei tanto tempo assim, variando entre essas duas opções que não via mais saída, eu só queria morrer.
Eu sinceramente te digo, uma das coisas mais dolorosas da vida é você querer morrer, é você não achar mais motivos pra viver. Afinal, aqui me refiro apenas a arte mas é claro que ela não era o único motivo para eu estar sucumbindo. Eu me vi no porão do fundo do poço. Não sabia mais o que fazer com a minha vida, para onde aponta-la. Eu não sabia mais de nada, estava apenas sobrevivendo.
Foi então que eu percebi que precisa reinventar minha vida. Trazer caminhos novos à ela e tentar parar de seguir pelos antigos. Conhecer novas pessoas e ir para novos lugares. Tentei, não consegui. Tentei, não consegui. Tentei, não consegui. Tentei, e consegui. Achei uma nova estrada para seguir, e a melhor parte é que foi uma estrada que eu sempre quis conhecer mas não sabia como trilha-la. Nessa minha nova caminhada havia tudo que eu amava e um pouco mais. Nessa nova caminhada eu pude me permitir ficar vulnerável, ser uma pessoa sensível e isso não queria mais dizer dor e tristeza mas sim alegria, sorrisos e felicidade. Nessa nova caminhada havia muita arte e poesia.
Infelizmente a história não acaba aqui, eu ainda tenho depressão. Às vezes eu sinto que tudo que tenho e conquistei não fazem parte do meu merecimento, às vezes eu sinto que todos os meus amigos e pessoas que me cercam me odeiam. É uma luta diária. Tem dias que fica fácil, tem vezes que ela some por semanas até; mas ai volta e pesa, e eu tenho que lutar muito pra não cair de novo. Às vezes ela me balança e eu me pergunto pra que lutar. Mas eu luto, muito.
Eu descobri que hoje em dia, com a minha vulnerabilidade e fraqueza, sou muito, muito (…) muito mais forte do que quando eu mantinha a pose de forte. Hoje em dia, com toda a minha sensibilidade e sentimentos à flor da pele, minhas emoções e até minhas sensações se tornaram mais intensas e mais reais. Eu sinto que agora minha vida é mais verdadeira.
Voltemos a pergunta do início, por que eu estou contando isso? Eu acho que é porquê sempre que leio um texto sobre depressão eu me sinto melhor. É bom ver que há outras pessoas iguais a você, que sentem o mesmo que você. É bom ver que você não é uma anormalidade e que, na verdade, ter e sentir isso é até bem normal. É bom ver que pessoas com isso conseguem ficar bem e se superar.
Eu só gostaria também de deixar claro que a minha história é minha. É baseada em fatores da minha vida, minha personalidade, meu jeito de pensar, tudo. Não dá pra comparar a minha história, o que eu vivi, como eu encarei e como eu estou superando isso com a de mais ninguém porquê a outra pessoa vai ter sua própria história, seus próprios motivos que a levaram a chegar nesse ponto, sua própria personalidade e tudo mais seu. Não dá pra comparar mas uma coisa eu posso afirmar, qualquer pessoa que passa por isso é dona de uma força que não há palavras para medir.

Outubro Rosa

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Fotografia: Regina Frael de Abreu

A pessoa da foto é a minha tia, ela era sempre assim sorrindo, fazendo bobeira e falando merda.

Para mais poesia Sem sol, sem lua – Diwali

Eu não queria, eu não queria, eu não queria fazer um texto sobre isso. Eu sabia que ficaria mal, eu sabia que quem conhecia ela e lesse também ficaria mal. Tem certas coisas na vida que é melhor não lembrar, certos períodos que a gente passa porque tá sendo obrigado mas depois é melhor esquecer, só que quem dera se essa fosse uma tarefa fácil.
Antes mesmo de outubro chegar eu já tinha tido essa ideia mas não fiquei enrolando pra coloca-la em prática. Dai outubro chegou e a ideia continuava apenas na minha cabeça, não era uma ideia ruim, pelo contrário, é só que lembrar é difícil. Mas eu não consegui fugir, sempre que mencionavam outubro rosa eu lembrava dela, sempre que lembravam que a gente tem que se auto-examinar, e tomar cuidado, e fazer exames, e tudo, eu lembrava dela. O ela na frase é a minha tia Regina.
A ideia que eu mencionei era fazer um texto falando sobre ela, sobre a história dela com o câncer de mama.
Eu tenho certeza que ela adoraria que eu fizesse um texto sobre ela e não se importaria de eu estar dizendo seu nome, mas obviamente ela iria preferir que fosse em outra situação, uma feliz. Por isso, tia se você estiver lendo esse texto dai de cima espero que não se importe, mas vamos tentar conscientizar as pessoas aqui tá?
É, essa história não teve final feliz, em abril de 2013 ela faleceu. Foi dia 24 ou 25, eu nunca lembro e eu só gravei essa data porque ou ela faleceu ou o velório foi uma exata semana depois de seu aniversário. E eu tive que olhar no calendário pra ver qual era o dia e quase consultei o calendário de 2014, e dai lembrei que não foi ano passado e sim ano retrasado. Já fazem dois anos, já fazem mais de dois anos e ainda dói muito falar dela. Eu sinceramente acho que eu nunca vou conseguir me acostumar a ter que sempre falar dela no passado e nunca poder falar no presente. Eu acho que nunca vou conseguir me acostumar a ficar sem ela.
O interfone toca e se eu estiver distraída eu vou achar que é ela. O telefone toca e se eu estiver distraída eu vou achar que é ela. Eu quero sair de casa e andar por ai e eu penso em ir pra casa dela. Só que essas coisas nunca mais vão acontecer.
Ela nunca mais vai me ligar perguntando se está tudo bem, ela nunca mais vai aparecer aqui em casa as nove da manhã justamente no dia em que estou em casa e posso dormir até mais tarde, ela nunca mais vai conversar comigo sobre coisas aleatórias enquanto a gente come milkshake ou batata-frita, ela nunca mais vai me encher o saco, ela nunca mais vai fazer nada disso comigo.
A intenção do texto não era falar isso tudo, a intenção do texto era falar sobre o câncer mas é impossível falar nela e não lembrar desses “nunca mais”. Mas ok, foco né?
O assunto câncer é um certo tabu pra mim. Eu fico mal quando o assunto vem à tona, eu choro do começo ao fim do filme “Pronta pra amar” porque eu penso nela e fico tentando entender o que ela passou e o que se passava na cabeça dela.
Minha tia descobriu um nódulo no peito acho que uns dois anos antes de tudo isso e ela não foi tratar. Ela não tinha plano e foi pelo público mas ainda sim ela enrolou mais do que deveria, do que podia; ela fazia os exames e não ia buscar, isso quando resolvia fazer. Eu sei que só mais de um ano depois é que foi dado o resultado final, câncer. Mas ainda dava pra operar e ela operou. E ela ainda ficou viva por uns dois meses depois da operação, mas nunca ficou bem de fato. Muito magra, mal comia, depressiva. Ela teve que tirar toda a mama e ela amava aqueles peitos gigantes dela, mas ela ia conseguir colocar silicone. Só que não adiantava, ela não ficava bem.
Ela veio dormir aqui em casa em seus últimos dias de vida e foi realmente muito ruim. Não entrarei em detalhes mas ela tava realmente muito, muito, muito mal. Mas dentro de mim eu tinha a absoluta certeza que ela sairia dessa.
O meu ponto com esse texto é que se você achar algum nódulo em você, algum caroço estranho, qualquer coisa, vai em um médico, se cuida. Se minha tia tivesse cuidado antes, quando descobriu, talvez hoje ela estivesse do meu lado me ajudando a fazer esse texto e ele teria um final feliz.
Sabe, pensa em si mesma, pensa nas pessoas que te amam. A gente sempre acha que nunca é nada, que nada ruim vai acontecer com a gente mas infelizmente acontece. Só que hoje em dia existe algo chamado medicina e ela pode cuidar desses problemas, principalmente quando ainda tá no começo. Então, por favor, por favor, não seja que nem a minha tia e se cuide, se previna, faça o auto-exame e vá à um médico.
O caso da minha tia não terminou bem mas eu conheço casos, inclusive de pessoas próximas a mim, que terminaram muito bem e que hoje em dia são super saudáveis e sem vestígios nenhum de câncer. As coisas dão certo se você cuidar tá?

Família e sua definição: amor.

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Fotografia: Marina Frael

Eu não gosto muito do termo mãe solteira, dizer isso é como dizer que além de ser mãe você precisa de um status de relacionamento e, no meu ver, em ser mãe o único relacionamento necessário é com sua própria filha/seu próprio filho. Eu fui criada pela minha mãe, sem pai. O homem que me fez que eu não chamo de pai de maneira nenhuma pois pai é quem cria e dele eu nunca vi nem a cara, aliás vi sim, por foto. Enfim, quando a minha mãe anunciou estar grávida esse homem disse que não estava preparado e sumiu no mundo, foi simplesmente embora deixando minha mãe sozinha; minha mãe também não queria ter uma filha naquele momento, ela também não estava preparada.
Mas minha mãe deu, de certa maneira, sorte. Apesar dos julgamentos – que sempre existem quando se é mãe sozinha – ela sempre foi acolhida pela meus avós e pelas irmãs/irmão. Lá em casa era eu, minha mãe, minha avó, meu avô, minha tia e uma gatinha. A minha mãe me deu a melhor criação possível, me educou extremamente bem, fez de tudo por mim e nunca me deixou faltar nada. Quando eu tinha quatro minha avó morreu, quando eu tinha dez minha gata morreu e quando eu tinha doze meu avô morreu. Quando tinha quinze eu, mãe e tia nos mudamos e separamos; eu e minha mãe viemos para uma casa e minha tia foi pra outra. Quando eu tinha dezessete minha tia morreu mas antes disso eu sentia que a casa dela era a minha também, me sentia tão bem quanto estar na minha.
Voltando um pouco, quando eu tinha onze adotamos o meu cachorro que mora com a gente até hoje. E antes que eu esqueça de mencionar, na minha criação meus padrinhos e meu primo sempre estiverem muito presentes também.
Eu não acho que a minha mãe seja pãe, não acho porque ela faz um trabalho tão incrível como mãe que eu simplesmente nunca, absolutamente nunca na minha vida, senti a falta de ter um pai. E sinceramente fico muito feliz por não ter tido porque talvez se tivesse tido não teria um relacionamento tão bom com a minha mãe como tenho hoje e como sempre tive. Apesar de ter muita gente que faz parte da minha família, sempre foi eu e ela contra o mundo. A gente é a base uma da outra e eu amo isso.
Eu não to dizendo isso porque acordei hoje de manhã pensando “pera, deixa eu contar prum pessoal ali a minha criação, sem motivo mesmo”, eu to dizendo isso porque você provavelmente já leu por ai que a comissão aprovou família como sendo a união entre um homem e uma mulher. Isso exclui mães que criam seus filhos/filhas sozinhas, exclui avós/avôs que criam seus netos/netas, exclui tias/tios que criam seus sobrinhos/sozinhas, exclui pais que criam seus filhos/filhas sozinhos, exclui lésbicas que tem filhos/filhas, exclui gays que tem filhos/filhas; e isso é só o começo, isso exclui muitas famílias.
Eu me recusei a ler qualquer matéria a respeito mas só quando eu li o título pela primeira vez já fiquei enjoada.
Família é amor, só e somente isso. Eu, minha mãe e meu cachorro somos família sim e ai de quem diga ao contrário.