Você brotou na minha vida

Para mais poesia She’s thunderstorms – Artic Monkeys

Você brotou na minha vida e como uma flor encheu meu mundo de cor. Trouxe suas borboletas e deixou tudo mais leve, mesmo quando fez meu coração ficar mais cheio porque agora você está nele e, graças à ti, o mundo inteiro também.
Você brotou na minha vida e me encantou com teu jeito tão desastrada de quem mal se equilibra nas próprias pernas, com a tua forma de ser fofa até ao falar palavrão, com tua cabeça tão distraída de quem vive no mundo da lua, com a tua mania de mordiscar o dedo quando está nervosa, com o teu abraço que parece caber o mundo e é o lugar mais confortável em que eu já estive.
Você brotou na minha vida e eu me apaixonei pela tua conversa sem tabus de quem sabe falar sobre tudo e mais um pouco, pela tua curiosidade pra conhecer tudo no mundo e querer sempre aprender mais, pela tua personalidade de ser tudo e querer ser ainda muito mais.
Você brotou na minha vida e eu descobri que tu gosta de dançar mesmo quando não tem nenhuma música tocando, que tu tem mania de encarar as pessoas e tentar ler elas, que tu não tem o menor foco e graças à isso às vezes demora um pouco no raciocínio, que tu é a melhor pessoa do planeta pra ser um ombro amigo e que tu valoriza tua liberdade acima de qualquer coisa.
Você brotou na minha vida e eu amei o teu amor, esse sentimento tão lindo que você carrega dentro de si e distribui para o universo. Eu amei o teu universo e teu olhar sobre o mundo, essa visão única de enxergar tudo que há de mais belo por ai. Eu amei tua beleza de ser poesia e de fazer poesia, de ser arte e de fazer arte. Eu amei começar da tua vida fazer parte desde que você brotou na minha vida.

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Viajar no universo

Ao som de Crer-Sendo

Que vibe é essa?
Ela não sabe não mudar
Uma constante metamorfose
Teu destino é confuso
(ela é a confusão)
Tua história funciona em milhares de linhas tortas
Ela é diferente de tudo que se vê por ai
Mas tem medo que descubram isso
Então finge ter juízo
Ela é exagerada
Vive com intensidade
Como se todo segundo fosse o último “eu te amo” do mundo
Pra ela é tudo sobre amar
Ela é o mar
E todo o seu infinito
Ela é universo
E tudo que é bonito
Ela é o feio
O torto
O estranho
O esquisito
Ela é beleza
E teus olhos enxergam as cores de um dia nublado
O cinza de um arco-íris
Ela já aprendeu mais do que demonstra
E já viveu mais do que queria
Tua inocência
E tua decência
Ela se pergunta qual o sentido da vida
Mas já sabe a resposta
Amor
E a dor
E a cor
E as emoções
As sensações
Os sentimentos
O conhecimento
A leveza
A grandeza
(de ser tão pequeno entre tantos universos)
A natureza
A magia
E as histórias
Tão notórias
De pessoas que passam por ai
E respiram do mesmo ar que o teu
Comem do mesmo pão que o teu
Tem vidas tão importantes quanto a tua
Não sabe seus nomes
Ou suas idades
Se tem filhos
Ou pais
Elas tem paz?
E amor?
Carinho?
Ela queria juntar todas no mesmo ninho
Vive no mundo de Júpiter
Ou no satélite da Lua
Foi visitar Plutão
Deu oi para as estrelas
E descobriu planetas
Foi pra fora do Sistema Solar
Ela foi voar
Conheceu novas tribos
Nova gente
Novos povos
Ela caiu no universo
Filha da mãe
Prometeu que sempre ligaria
E não se perderia
Ela foi viajar
E aprender
E amar
E crescer
E mudar
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Pela doce vingança

Uma parede que eu acredito um dia ter sido branca. Hoje, amarelada, descascando e com quadros que são um portal para o passado. Quebre-os. Se não se incomodar, por favor.
Uma porta sem maçaneta. Não sei aonde vai dar. Talvez em Nárnia ou no reino de Alá. Talvez para um mundo aonde não exista amor. Apesar que, nesse mundo, eu já vivo. E sou pecadora por, de sem querer, justamente amar.
Um rádio com interferência. Sem referência. Foi roubada toda a sua essência. E por toda a sua delinquência é culpado por demência. Divergência, de um mundo sem concordância. Concordam.
Uma televisão sem cores. É mostrada todas as dores. De um mundo preto e branco. Que colocou a menina em prantos. A cobriu com mantos. E fez da lei como um rei. Ceguei. A mente que, de sem querer, sujei. Apelei. Manchei. De sangue ou verdades. Meras realidades. Mentiras. Cantada por liras. Tiras. Miras. Cifras. Da vida que não se decifra. Codifica.
Um computador velho. Quebrado. Estragado. Melado, pela doce vingança. Que desafia o ritmo da dança. Se cansa. E o Mansa, lança. O arco e a flecha. Me fecha. Se mexa. E enquanto estiver parado, corra. Ou morra. Preso na masmorra, que é a própria vida. Ainda tem alguma dúvida?

– Marina Frael de Abreu