O caminho mais fácil para o meu coração

Para mais poesia Hear me – Justin Bieber

O caminho mais fácil para o meu coração é me pedir para mandar mensagem quando eu chegar em casa porquê já está tarde, mesmo sabendo que eu provavelmente vou esquecer e você vai acabar me perguntando se eu cheguei bem. O caminho mais fácil para o meu coração é me mandar levar o guarda-chuva mesmo sabendo que vou ser teimosa demais e não vou fazer, é me obrigar a ficar embaixo do seu guarda-chuva porque desse jeito eu vou gripar, mesmo quando eu juro que amo tomar essa chuva gelada. O caminho mais fácil para o meu coração é me dar de repente um beijo na testa quando for levantar pra tomar água, é me abraçar e dar um beijo no ouvido que faz aquele estalo e me deixa zonza por alguns segundos e morrendo de vontade de te matar. O caminho mais fácil para o meu coração é me fazer dar gargalhadas, de tudo o tempo todo. É implicar comigo por eu ser desastrada demais mas sempre me fazer rir da sua preocupação cada vez que eu caio, escorrego, tropeço, bato em algum lugar, derrubo alguma coisa ou qualquer outra coisa que faço diariamente sendo a pessoa atrapalhada que sou.

O caminho mais fácil para o meu coração é quando você me conta histórias, qualquer história que você descobriu por ai. É beijar meu olho simplesmente porque eu acho legal, mesmo isso sendo bem estranho. É quando eu deito no seu ombro e você não se mexe, não importa o quanto você esteja torto. É quando você escolhe um filme de romance ao invés de terror, mesmo esse sendo seu gênero preferido. O caminho mais fácil para o meu coração é quando você me ouve falar horas e horas sobre arte, viagens, universos ou todas as vezes que eu resolvo filosofar sobre a vida. É quando eu te peço perdão por falar tanto e você diz que ama ouvir, que adora ver eu me abrindo e dividindo minhas paixões com você.

O caminho mais fácil para o meu coração é me mandar uma mensagem no meio da madrugada porque aquela música era muito boa e você precisava mostrar pra mim. O caminho mais fácil para o meu coração é me enviar uma carta apenas escrito oi só porque a gente viu um filme em que eles trocavam cartas e eu disse que realmente era muito mais fácil se apaixonar por alguém com mensagens assim do que online. O caminho mais fácil para o meu coração é beijar minha bochecha no meio da conversa simplesmente porque minha bochecha “é tão fofinha que dá vontade de morder”. O caminho mais fácil para o meu coração é segurar minha mão e brincar com meus dedos enquanto contemplamos um silêncio que de algum jeito não é constrangedor. O caminho mais fácil para o meu coração é rir de mim sempre que eu demoro a entender a piada mas brigar comigo quando perco o foco para coisas sérias. É me cobrar mais responsabilidade, mais organização porque, merda, você só faz isso pro meu bem e futuro. O caminho mais fácil para o meu coração é me dar todo o apoio com qualquer coisinha minimamente artística que eu faça, até daquela vez que eu fiz alguns rabiscos na minha própria mão e você disse que ficou lindo e deveria virar uma tatuagem. O caminho mais fácil para o meu coração é reparar na pintinha que nasceu no meu ombro mas não perceber que eu cortei o cabelo. O caminho mais fácil para o meu coração é querer me irritar dizendo que é ridículo o fato de eu amar Scooby mas sempre assistir comigo, e até sem mim, como semana passada que você me ligou às quatro da manhã pra eu poder te explicar como aquele personagem que era o monstro porque não fez sentido.

O caminho mais fácil para o meu coração é me fazer esquecer o mundo quando estou dentro do seu abraço. O caminho mais fácil para o meu coração é se entregar à mim. É ter me segurado quando eu me entreguei completamente à você. O caminho mais fácil para o meu coração é simplesmente ser você.

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1947

Fotografia: Autor desconhecido

Para mais poesia ouça Fly to the moon – Frank Sinatra

Terça-feira, 25 de novembro de 1947

Na vitrola toca um jazz de um desses cantores da moda, foi ele que colocou.
Ele dança enquanto segura seu copo.
A sala cheira a uísque e cigarros, e talvez eu deva confessar: eu amo esse perfume que exala pelo cômodo e que vem dele.
Ele estende a mão me convidando para acompanhá-lo.
Parece que nossos pés não tocam o chão, que dançamos nas nuvens.
A sensação que tenho quando estou com ele é sempre essa, que estou flutuando.
Observo, com lágrimas nos olhos, a cicatriz que ele carrega na costela, dada devido a guerra.
“Eu estou bem, eu estou aqui, certo?”, ele me diz
Eu tento imaginar como foi por lá.
Eu tento imaginar o medo e a dor que ele sentia.
Eu tento imaginar o alívio que ele tem ao estar em casa e vivo.
Eu tento imaginar a culpa que ele carrega ao estar em casa e vivo, enquanto outros ainda estão lá e morrendo.
Eu tento imaginar, mas a minha imaginação nunca vai ser o suficiente para entender o que ele sentiu e passou por lá.
“Eu sei que sim amor, eu sei que sim”, eu o respondo
Quando ele estava lá meu coração doía.
A cada carta minhas mãos gelavam.
A cada telefonema meu corpo paralisava.
Naquela horrível época eu vivia em função de receber a notícia.
A tão terrível, maldita e temerosa notícia.
Mas, graças aos céus, ele chegou e a notícia não.
Agora ele penteia o cabelo com um cigarro apagado entre os lábios.
Põe a blusa e me pergunta se não eu gostaria de pôr meus sapatos para que possamos ir à praça.
Digo que sim, hoje faz um dia quente e já está ficando escuro por aqui.
Enquanto desliga a vitrola ele canta.
“In other words, i love you.”